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“Caixa Preta” é uma performance em que um homem morto e duas mulheres feridas convidam o público para um velório coletivo em que a postura diante do luto é colocada em questão.

A performance começa na rotunda do CCBB, com as duas atrizes atravessando o cotidiano dos visitantes do centro cultural antes mesmo de ingressarem no Teatro III. Em cena, as duas mulheres encontram-se diante de um cadáver de um homem. A disposição cênica e projeções nas paredes convidam o público a circular pelo ambiente para velar esse corpo sem vida. É justamente essa contemplação fúnebre que dispara e desenvolve a relação entre as personagens e os espectadores. Não se sabe quem são essas mulheres, nem qual é a relação delas com o falecido. A cada situação, conversa, silêncio, projeção, movimentação se torna mais presente o mistério e a curiosidade sobre as duas.

“Não quis me limitar ao campo das ações. ‘Caixa Preta’ é um trabalho de reflexão sobre a experiência de cada um. É sobre a morte de pessoas que temos contato, de desconhecidos, e da expectativa da nossa própria morte, e como nos comportamentos diante dessa realidade. É a vivencia o luto coletivo, numa sensibilidade que atravessa a todos nós”, conta o diretor Fernando Rubio. “Assim como em um velório, o público tem a liberdade de permanecer no Teatro III o tempo que desejar. Pode também sair e regressar quantas vezes julgar necessário, assim como as atrizes. É possível, também, acompanhar tudo à distância, por meio de totens espalhados pelo CCBB que transmitem em tempo real a performance”, explica.

A dramaturgia inédita de Fernando Rubio foi construída durante o processo de criação da montagem a partir de um desejo comum entre as atrizes Giulia Grandis e Ludmila Wischansky e o diretor em falar sobre a morte, um tema por muitas vezes desconfortável, porém natural e inevitável. “Caixa Preta” propõe um olhar reflexivo, crítico, amoroso, por vezes dramático, por vezes humorado, sobre nossos comportamentos e construções face à morte. “‘Caixa Preta’ trata da morte num conceito mais arquetípico num lugar que transcende o teatral”, define Ludmila Wischansky. “Propõe ainda outra construção ritualística por meio de um olhar renovado e não fixo em relação ao luto”, completa Giulia Grandis.

ENDEREÇO

Rua Primeiro de Março, 66 CCBB - Centro
Rio de Janeiro - RJ

+55 (21) 3808-2020

horário de
Funcionamento

Quinta a domingo, às 17h e às 19h

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