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Aclamada por público e crítica, retorna ao Rio a montagem de Bia Lessa, que faz uma mistura de teatro e instalação artística, no SESC Copacabana.

Bia Lessa propõe a união entre uma peça de teatro e uma instalação em sua adaptação do livro Grande Sertão: Veredas, matriz do romance brasileiro moderno e obra-prima de João Guimarães Rosa, em cartaz no Teatro de Arena do SESC Copacabana. Com o espetáculo teatral, Bia Lessa convida a plateia a um mergulho fundo na epopeia narrada pelo jagunço Riobaldo (Caio Blat), que atravessa o sertão para combater seu maior inimigo, Hermógenes (José Maria Rodrigues), fazer um pacto com o diabo e descobrir seu amor por Diadorim (Luiza Lemmertz).

Trata-se de uma instalação, visitada e experimentada pelo público, e o espetáculo, encenado na mesma estrutura, em 2 horas e 20 minutos de apresentação ininterruptas, com o elenco em cena permanentemente, em que o público experimenta a dissolução das fronteiras entre início e fim do espetáculo; entre teatro, cinema e artes plásticas; entre literatura e encenação.

“O teatro para mim é sagrado. Me deparei com o Grande Sertão e ele se apoderou de mim mais uma vez. Quando montei a exposição, algumas questões se apresentavam: a principal delas era como utilizar imagens sem que o significado do Sertão de Guimarães ficasse reduzido a um único lugar. A opção na época foi trabalhar apenas com palavras. No teatro, essa questão volta a se impor: ‘o sertão está dentro da gente’. Nosso caminho foi realizar um trabalho onde homens, animais e vegetais estabelecessem uma relação de diálogo sem supremacia entre eles. Não estamos exatamente no sertão, mas em um espaço ‘ecológico’ e metafísico onde tudo cabe. Um espaço, uma imagem, que nos possibilita a experiência proposta pelo romance, sem obviamente realizar o romance tal como é – fidelidade absoluta (todas as palavras ditas são de Guimarães Rosa), mas liberdade infinita, visto que é apenas uma das leituras possíveis da riquíssima obra de Guimarães”, afirma Bia Lessa.

A grande estrutura tubular concebida lembra um claustro, uma gaiola. Instalada no palco do Teatro Arena do Sesc Copacabana, também é, ao mesmo tempo, cenário de violentas batalhas e de reflexões profundas. 250 bonecos de feltro com tamanho humano, criados pelo aderecista Fernando Mello da Costa, compõem uma imagem permanente: a cena da morte de Diadorim como um presépio. A trilha sonora completa a atmosfera do Grande Sertão: Veredas, composta por três camadas: os ruídos e sons ambientes, a música composta por Egberto Gismonti e a trilha sonora que representa nossa memória emotiva, com músicas que fazem parte de nosso imaginário. Os figurinos de Sylvie Leblanc são uma leitura do sertão, sem regionalizá-lo – são personagens do mundo.

Em um trabalho tão artesanal, marca da diretora (que passou mais de 600 horas com o elenco, em ensaios diários por 92 dias), e de grande esforço físico (a preparação corporal foi um dos aspectos indissociáveis do trabalho de direção, com aulas de corpo diariamente durante os 4 meses de ensaio), a tecnologia foi fundamental para guiar o público em tantas veredas. Cada espectador usa fones de ouvido que permitirão escutar separadamente a trilha sonora, as vozes dos atores, os efeitos sonoros e sons ambientes, levando-o a um nível inédito de interação com a dimensão sonora do espetáculo. Apesar de todos compartilharem o espaço na plateia, cada um terá uma experiência única durante a apresentação.

Ingressos: R$ 7,50 (associado do Sesc), R$ 15 (meia), R$ 30 (inteira)
(Ingresso solidário R$ 15,00 (meia) com a doação de 1 kg de alimento para o Projeto Mesa Brasil do Sesc RJ

ENDEREÇO

Rua Domingos Ferreira - de 2 ao fim - lado par, 160 SESC Copacabana - Copacabana 
Rio de Janeiro - RJ
22050-012

horário de
Funcionamento

Quinta a domingo, às 19h.

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